Comércio Internac/tional Business

Desabafos sobre a matéria/Opinions on the subject

11 abril 2005

 
Como se pode inferir do nome deste blog, ele deve ser considerado pelo menos bilingue de raiz. São bem-vindos todos os comentários quer em inglês, quer em português, e não se acanhem em expressarem as suas opiniões em castelhano, galego, francês e alemão. Só a dimensão da audiência potencial é que pode ficar prejudicada.
Para os de língua portuguesa aqui fica um resumo do essencial das duas mensagens anteriores.
Trata-se de debater algumas facetas do conteúdo, processo e consequências da globalização a pretexto dum artigo do prémio Nobel Paul Samuelson, de todos conhecido, pelo menos como autor do talvez mais popular manual de economia de todos os tempos.
Nesse artigo, cuja referência consta da primeira mensagem deste blog, o autor mostra preocupação com a concorrência que os produtores estadunidenses estão a sentir ultimamente sobretudo por banda dos fabricantes chineses, que teriam experimentado fortes progressos técnicos e outros não só nos produtos menos sofisticados em que isso já era comum, mas também nos sectores em que habitualmente teriam assentado as vantagens comparativas dos EUA e que estariam a sentir forte pressão por parte de concorrentes chineses. e não só.
Samuelson antevê uma erosão destas vantagens comparativas até ao extremo em que os EUA registem percas líquidas derivadas da sua adesão ao comércio livre nestas condições.
Claro que esta ilação, vinda dum economista com a reputação de Samuelson, que fez uma boa parte da sua carreira a cimentar e desenvolver os principais teoremas da teoria neo-clássica do comércio internacional, favorável ao comércio livre, ou pelo menos onde os livre-cambistas vão buscar a fonte principal da sua inspiração, teve enormes repercussões não só nos colegas economistas, como nos meios ligados à arquitectura do edifício mundial de enquadramento do comércio internacional, algumas das quais se encontram referenciadas na referida primeira mensagem deste blog.
Nós debatemos os diferentes contributos e pontos de vista e submetemos que estamos, pelo menos até certo ponto, perante um mal entendido. O modelo das vantagens comparativas, inspirado em David Ricardo, (e já agora também o das vantagens absolutas de Adam Smith) pretende apenas e tão só demonstrar - o que jáo não é de somenos importância - que qualquer país terá vantagem em se abrir ao comércio internacional. Essa abertura trar-lhe-á sempre vantagens líquidas em termos de bem-estar da sua população.
Ora, aquilo que Samuelson alega é que determinados países, entre os quais os EUA, podem registar percas líquidas de bem-estar ao serem confrontados com progressos técnicos ou outros que induzam a uma maior produtividade/competitividade dos seus parceiros e concorrentes internacionais nos seus sectores concorrentes com as importações, i.e. que previamente correspondiam a bens e serviços previamente exportados pelos EUA e importados por esses países, nomeadamente a China. Mas essas percas, tal como nós as interpretamos no artigo de Samuelson, não se contabilizam em comparação com a situação de autarcia, como o fazem os modelos das vantagens comparativas e absolutas, mas sim com uma situação anterior de livre comércio, substancialmente vantajoso para ambas as partes. Em relação a esta é que a nova situação pós-progresso técnico chinês pode permitir a detecção de percas líquidas de bem-estar. Ora isto não poderia nunca ser negado pelas terias clásssicas mencionadas e enquadra-se perfeitamente nas preocupações quanto aos ganhos e percas de posições/vantagens competitivas que surgem periodicamente em períodos conturbados do comércio mundial como atravessamos actualmente. (Veja-se entre outras a contribuição de Paul Krugman referida na nossa primeira contribuição para este blog)
Cabe lembrar que o "perigo amarelo" ou "chinês", já anda entre nós e sobretudo nos EUA há várias décadas e e a sua sombra foi atravessada pelo perigo japonês, europeu, asiático e outros, sem que o nível de vida norte-americano tivesse sido assim tão abalado, conquistado aliás com todo o mérito, graças às características resistentes da sua economia e sábias da sua política económica (em média, claro).
Queremos encorajar todos a lerem o referido artigo do Paul Samuelson e alguns dos outros referenciados neste contexto e a tomarem posição sobfre o assunto. Ele pode ser consultado, assim como alguns dos outros, na bibioteca do IEEG.
1 - Será que a teoria das vantagens comparativas está moribunda?
2 - O que resta do edifício neo-clássico da teoria do comércio internacional?
3 - Será que os EUA e todas as outras nações têm que temer o "perigo amarelo"?
4 - Em que condições lhe podem e devem resistir?
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